A relação das semanas de moda com as macrotendências


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O que as semanas de moda mundiais – Fashion Weeks – dizem sobre as macrotendências de moda? Neste post você vai entender sobre o comportamento de consumo expresso nos lançamentos de moda mundial.

Nesta época do ano, muitas marcas relevantes do mundo da moda apresentaram suas propostas. Você já parou para pensar no quanto os lançamentos de moda ajudam a entender as macrotendências?

Nós sabemos que as semanas de moda já são uma tradição. É a partir delas que outras marcas e negócios de moda guiam suas ações futuras. Além disso, pensam em estratégias para atender às demandas de consumo e expressão por meio da moda enquanto vestuário.

No entanto, é importante destacar que nem sempre esses lançamentos são novidades. O que quero dizer é que nas ideias de moda contidas nos desfiles há inspirações em épocas passadas, que são atualizadas de acordo com a vertente criativa das grifes ou estilistas.

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Desfile Fendi / Foto: Fashion Trendsetter

Além disso, os lançamentos se amparam nas tendências comportamentais que também são conhecidas como macrotendências. Estas tendências se manifestam em propostas de moda e se “estetizam” em produtos, materialidades vestíveis.

AS SEMANAS DE MODA E O FUTURO DA MODA

Nas fashion weeks do mês se setembro de 2020 foi observado uma recorrência de volta ao passado, seja nos estilos e modelos, seja nas maneiras de fazer e apresentar as criações.

Nesse sentido, os desfiles – inusitados ou revisitados – anunciaram vetores para pensar os caminhos futuros da moda. Por isso, procurei apontar alguns vetores para pensar as macrotendências de moda identificadas nas passarelas e estratégias das marcas nas Fashion Weeks mais importantes do mundo.

AS MACROTENDÊNCIAS DE MODA DAS FASHION WEEKS

Primeiramente, é importante destacar que ficou nítida a necessidade de criar conexões genuínas com público. Pois, a dinâmica social pede por memória afetiva, design emocional na moda.

Pensando dessa forma, as marcas precisam estudar mais sobre o assunto, e entenderem o quão relevante é conhecer de forma aprofundada sobre a trajetória da moda.

Em segundo lugar, em alguns desfiles, como o da marca Moschino, por exemplo, ficou evidenciado o resgate de feitos icônicos da história da moda. Em outras palavras, a marca apresentou um “desfile” nitidamente inspirado no “Teatre de La Mode” realizado por marcas de luxo em Paris nos anos 1940.

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Desfile da grife Moschino / Foto: Vogue Paris

Nesse cenário, as estratégias de hoje revelam a tendência de associação à tempos nostálgicos em que a moda era mais genuína, artística e menos fast fashion.

Em outra perspectiva, quando o assunto foi biótipo, novos corpos (gordos, pretos, periféricos), humanos e virtuais anunciaram um futuro diverso e inclusivo para a moda. Sem dúvida, esse é um movimento cada vez mais forte, mostrando um avanço na forma de pensar e elitizar a moda à um padrão de corpo muitas vezes irreal.

Para quem estuda ou já estudou sobre a história da moda, perceber essa mudança é como que uma vitória.

Também ficou clara a força da tecnologia como recurso para humanizar e não para criar um relacionamento artificial com o público. Logo, é preciso ações alinhadas aos movimentos comportamentais atuais, sem considerando o DNA de cada marca.

Ainda sobre esse assunto da tecnologia, podemos pensar que a mídia (espontânea ou paga) tem a cada dia mais se tornado um atributo importante, muitas vezes mais relevante que o próprio patrimônio de marca.

Contudo, nos lançamentos das semanas de moda temos a certeza de que o consumo não pode ser pensado como norte, mas sim como fim. Isto é, a estratégia não é só para vender produto em si, mas para vender valor de marca que é potência para manter grifes tradicionais – ou não – como relevantes no atual sistema da moda.

Por fim, como sempre gosto de lembrar, a moda, a história, a cultura e sistema fashion se retroalimentam. Deste modo, vale lembrar que marcas e profissionais da área precisam aprofundar seus conhecimentos sobre as engrenagens da moda para assim se posicionarem de forma positiva diante do horizonte que se anuncia.

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Foto: Booked

Conhecimento, estratégia e novidade andam juntos.

Concorda? Me conta o que achou aqui nos comentários.

Você também pode conferir mais artigos escritos por mim aqui!

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Carol Siq

Sou professora universitária e de cursos livres e mentora de negócios de moda.  Possuo experiência de mais de 15 anos no mercado de moda, com expertise em consumo, branding, tendências e cultura/história da moda. Na área acadêmica sou doutora em História pela UEM, na linha de pesquisa: História, Cultura e Narrativas, com estudo sobre a moda brasileira no século XXI. Mestra em Ciências Sociais pela UNIOESTE, na linha de pesquisa: Cultura, Fronteiras e Identidades. Pós-Graduada em Moda: Criatividade, Gestão e Comunicação e Graduada em Moda pela UEM. Também sou autora do livro “Linguagem visual”; organizadora/autora do livro “História, Moda e Meios de comunicação"(2018); e autora do capítulo: A influência da mídia de moda e a identidade de modelos negras" do livro: Indumentária e moda: caminhos diversos (2014). Sou vinculada ao Laboratório de Estudos e Pesquisas em História, Moda e Cultura (La-Moda – CNPQ/UEM).

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