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Slow Fashion Clube da Costureira

Slow fashion (moda sustentável): você sabe quem faz as suas roupas?

Slow Fashion Clube da Costureira

Entre as séries “mais mais” do momento na Netflix, está “Girlboss“. Se você não assistiu, já escutou alguém falando ou postando nas redes sociais sobre isso e sobre slow fashion. Certo?

Se esse burburinho sobre a série tem despertado sua curiosidade, antes dar o play e viciar nos episódios, queremos propor uma discussão. Vamos bater um papo sobre uma das temáticas desse seriado? A série tem tudo a ver com slow fashion, um termo conhecido para você ou não?

Se formos traduzir ao pé da letra, slow significa devagar. Mas não é isso que esse conceito quer dizer. Slow fashion é moda sustentável, se contrapõe ao fast fashion. É a valorização da qualidade em vez da quantidade.

Mas o que “Girlboss” tem a ver com isso? Dá só uma olhadinha no trailer, por enquanto:

Curtiu? A jovem estilosa e cheio de atitude que aparece aí é inspirada na empreendedora Sophia Amoruso.

Ela descobriu como ganhar muito dinheiro vendendo roupas online. Já revirou lixo, furtou lojas e rodou os Estados Unidos de carona. Mas além de seu estilo rebelde, Sophia tinha um “senhor” feeling para moda. Garimpando peças usadas daqui e daqui, ficou milionária com a loja virtual Nasty Gal.

Narrando essa história, “Girl Boss” é uma divertida trama que abre espaço para discussões como empoderamento feminino, empreendedorismo e valorização da moda “não descartável”.

E é de roupa como modo de vida que a gente quer falar!

De acordo com o relatório de inteligência de moda do Sebrae dos meses de fevereiro e março de 2017, alguns aspectos relevantes caracterizam o slow fashion. Veja quais são:

  • Aproximar: criar relacionamento entre produtores e consumidores;
  • Aquecer a economia local: valorizar os produtores de determinada região, que utilizem matérias-primas sustentáveis;
  •  Produzir peças com qualidade e estilo clássico: peças atemporais, que não são reféns de tendências passageiras e trazem qualidade e durabilidade ao produto;
  • Lucrar: o preço das peças considera o custo de real de produção, levando em conta um salário justo ao produtor e a capacidade econômica da região;
  • Praticar a consciência: adotar o hábito do consumo como algo que seja necessário, ter uma visão holística do impacto da compra na sociedade e conseguir entender a responsabilidade social e ecológica de sua aquisição.

Quando a gente lê as definições já começa a “linkar” com as situações do cotidiano que se encaixam nesse conceito né? Já parou para pensar, por exemplo, no quanto os brechós dizem sobre esse movimento?

Foto: Pinterest

A venda de roupas usadas voltou com tudo nos últimos tempos e de um jeito muito repaginado! Brechó não é mais “lugar de roupa barata de segunda mão”, é lugar de roupa estilosa, original, e, muitas vezes, única! Muitas peças que são verdadeiras relíquias só são encontradas nesses espaços que ganharam um ar “vintage”. A jornalista Julia Orso é uma apaixonada por essa originalidade que as roupas de brechó são capazes de proporcionar.

Tanto que ela transformou a paixão pessoal em negócio, quando decidiu abrir o “ReUse“, o precursor dos brechós estilosos de Cascavel.

Eu sempre me vesti de uma forma diferente. As pessoas davam risada do jeito que eu me vestia. Calças de cós alto, por exemplo, na época que eu usava as pessoas achavam estranho, há 4 anos não era moda. Sempre fui influenciada pela minha mãe, ela sempre se vestiu de forma bem diferente também desde que era jovem, sempre gostou de cortes diferenciados,  tecidos diferenciados… Isso me influenciou. E o que acontecia: eu procurava shorts e calças de cós alto em Cascavel e não encontrava. Então eu fazia o seguinte: ia aos brechós da rodoviária velha, comprava calças antigas e cortava, tingia, coloca tachinhas, desfiava, rasgava, customizava… 

E a ideia foi se transformando em negócio quando Julia percebeu o sucesso que as fotos de peças customizadas fizeram. Quando postava nas redes sociais, muitas amigas se interessavam e pediam por peças iguais.

E meu custo benefício era super baixo, pagava de R$ 2 a R$ 5 e vendia por por R$ 80, R$90, R$ 100 dependo da customização. E foi aí que decidi abrir um brechó, foi assim que nasceu o ReUse: reuse sua ideia, sua roupa, seu estilo… Brechó para mim é se reinventar, poder mudar seu estilo na hora que você quer, com pouco dinheiro e de forma muita criativa. Para mim, as pessoas que usam peça de brechó são geralmente muito criativas, inspiradoras. Vejo com uma coisa muito positiva, livre de preconceito, livre de barreiras. São pessoas que não se importam com o que os outros comentam e querem passar uma mensagem muito legal com o seu look.

Em Cascavel, só existia o brechó da rodoviária velha, que não era brechó de peça selecionada, tinha peças muito descuidadas. O Reuse foi um dos primeiros brechós estilosos da cidade, com um conceito diferente, decoração diferenciada…

Que jeito bonito de pensar as roupas, né? É um nova forma de olhar para os tecidos: dando valor a sua existência, sem descartá-los assim que chega a próxima a modinha.

E para gente tornar a conversa ainda mais rica e “plural”, convidamos outras pessoas que também se identificam ou praticam o slow fashion, levando o movimento praticamente como um estilo de vida.

Para começar, com vocês… Erika Okazaki!

A japinha jornalista, designer de moda e blogueira tem esse conceito de valorização das roupas como um lema. Há anos, ela promove o #BazarDaJapinhaEAmigos, onde vende peças que não utiliza mais, arrecadando dinheiro para ajudar instituições carentes.

E em uma das últimas andanças pelo mundo afora, Érika conheceu o movimento “Fashion Revolution”, que acontece desde 2005, com a intenção de gerar um olhar questionador, por meio da questão: “quem faz suas roupas?”.

O movimento nasceu depois uma tragédia: o desabamento do prédio Rana Plaza, onde funcionava uma fábrica de tecidos em Bangladesh.

“Em 24 de abril de 2013 aconteceu essa tragédia que matou 1.133 pessoas e deixou 2.500 pessoas gravemente feridas. Sabe por que isso aconteceu? Porque existem pessoas que amam o dinheiro, amam o consumismo, não se importam com o mundo, não estão nem aí com as consequências, muito menos preocupadas em deixar um legado de amor. Essas pessoas que estavam no prédio neste dia, não tinham a mínima estrutura para trabalhar e infelizmente foram vítimas deste egoísmo. É triste saber que essa não foi a única tragédia que envolveu o setor da moda. Diariamente isso acontece, inclusive casos de exploração, onde pessoas vivem em situação de escravidão ou análoga a esta”, desabafa Erika Okazaki.

Esse desastre virou motivação para que as designers e ativistas Carry Somers e Orsola de Castro criassem o movimento Fashion Revolution.  São realizadas palestras, discussões e ações promovidas geralmente por estudantes de moda. A edição de 2017 aconteceu no mês de abril, envolvendo 90 países, inclusive, o Brasil. A ideia é gerar estes questionamentos: o que há por trás da indústria da moda? Quem faz o que eu visto e o que calço? Em que condições essas pessoas trabalham?

Dá um nó na garganta saber de tudo isso, não é? É na contramão dessa prática cruel que o slow fashion vem remando! Cada vez mais profissionais se envolvem neste modo mais bonito de se fazer moda. A nossa colunista Fernanda Herthel é uma dessas pessoas! Ela é apaixonada pelos trabalhos manuais e sabe o quanto é importante valorizar cada detalhe de trabalhos assim!

Sinceramente, acho que curto o Slow Fashion muito antes dele ter este nome pomposo. E o que mais me fez enveredar por este caminho, foi o conceito de exclusividade em estilo e qualidade. Eu bem sei que muitas das pessoas que aderem ao ‘slow’, miram na ética do trabalho remunerado, na sustentabilidade, no confronto ao consumismo e pouquíssimo no ‘fashion’ da questão. Mas eu devo confessar que foi esta a parte que mais que conquistou! É evidente que as questões trabalhistas, ambientais e de mercado, figuram na minha lista de preocupações e que devemos como sociedade, cobrar por mudanças e sermos a própria mudança nesta área. Porém aproveitarei minha participação neste post para enaltecer o imensurável prazer de produzir o meu próprio ‘fashion’, curtindo cada processo do ‘slow’.

A satisfação de fazer algo para si com todo capricho, estilo próprio e preço justo, é algo de tamanho valor que nem o fast fashion e nem as grifes de luxo vendem em suas lojas porque simplesmente, não tem preço. É autoconhecimento! Acompanhar a evolução de nossas habilidades manuais, aprender com os erros, conhecer as curvas e posturas do nosso corpo, descobrir um tecido favorito, comprar a primeira máquina de costura… Me desculpe o consumismo desenfreado, mas eu quero mesmo é gastar meu santo dinheirinho com essas coisas, que me permitam viver acompanhando todas essas emoções. Incluindo a raiva que dá quando a costura fica toda horrível, misericórdia. Que vontade de tacar fogo na bendita!! Hahaha Mas aí a gente se acalma, se tolera, dá um tempo e no dia seguinte, tenta outra vez.

Criando cada peça uma a uma, escolhendo o modelo que sabemos que usaremos, concorda comigo que não há espaço para excessos?

Esta é a essência do Slow Fashion que pode começar a ser vivida hoje mesmo, independente de qualquer mudança governamental, industrial ou social. Cobremos por mudanças pois são muito necessárias, mas façamos nossa parte desde então. E posso te contar um segredinho? É muito mais divertido!

A designer, costureira, blogueira e colunista do Clube da Costureira, Patricia Cardoso, também pensa assim e, em meio a essas inquietações sobre a moda, ela busca alternativas para desenvolver um trabalho mais correto. Patrícia costura as próprias roupas!

Slow Fashion é um termo que está em alta e carrega consigo conceitos bem positivos. Mas tem outro lado que raramente observamos: o quanto este termo é romantizado mundo afora. Não dá para acreditarmos que ações isoladas de consumo vão resolver o problema que é a cadeia de moda. Infelizmente o sistema produtivo destrói o meio ambiente, gasta e polui a água (tingimento e beneficiamento de tecidos), gera muito, muito lixo e escraviza pessoas.

Então é importante sim estarmos atentas ao nosso ritmo de consumo e descarte, inclusive quando resolvemos fazer nossas peças.

Eu penso nisso diariamente, mas ainda não encontrei uma forma ideal de descarte ou reciclagem. Uma vez li que apenas 1% dos tecidos são realmente reciclados. A maioria acaba em aterros poluindo o meio ambiente. E é esse o mundo em que habitamos e que as próximas gerações irão habitar.

Muito do que as colunistas citaram, fica bem nítido na reportagem produzida pelo programa “Como será?” da Globo, numa série chamada “Ecostura”. O vídeo é longo, mas vale investir uns minutinhos. Tem tudo a ver com a nossa conversa! 

E depois disso tudo, queremos a SUA opinião! Sabemos que esse post gerou muitas reflexões aí, né? Então não vamos deixar essa discussão para por aqui, não! O campo de comentários está aqui para isso. Diga para gente o que você pensa sobre o assunto, comente aqui se você conhece alguma prática legal de slow fashion.

Vamos juntos fomentar esse tema?! 😉

Confira aqui um Episódio da Rádio da Costureira sobre Moda e Sustentabilidade!

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Comentários

15 respostas

  1. Este artigo fez refletir muito sobre os resíduos que geramos quando fazemos uma peça, sempre tentei reduzir ao máximo, mas às isso é difícil. Aqui na minha casa tento aproveitar tudo e costumizar pra continuar usando, a Patrícia é a Fernanda me ajudam muito nisso. Agradeço ao blog pelas dicas.

  2. Eu sempre pensei em tudo que foi dito neste artigo, apenas não conhecia o termo “slow fashion”. Devemos lutar por um mundo melhor, o consumismo é muito grande, principalmente na moda, se cada um que tiver consciência fizer a sua parte, está ótimo. Comecei a costurar há um ano e meio e tenho tentado, aos poucos, criar o guarda roupas das minhas filhas e o meu, bem como procuro usar os retalhos em artesanato e decoração. Amei o blog.

  3. Cara, a culpa não é só é simplesmente de quem consome; e não deixando ( na minha opinião), de comprar que esses absurdos urso acabar, ou diminuir. Essas pessoas se submetem há esse tipo de serviço, por pra necessidade!
    O que devemos ter a consciência é que precisamos teen um país, onde as leis funcionem de verdade!! Onde haja FISCALIZAÇÃO e PUNIÇÃO real para os mercenários da indústria têxtil, vcs entendem? O governo; a Receita e outros órgãos federais, estaduais, municipais e etc. Todos sabem é NADA, ABSOLUTAMENTE NADA É FEITO! amo esse estilo de sobrepor, reutilizar as roupas, e nem sabia que era uma tendência… Sou contra a todo e QUALQUER tipo de consumismo inconsciente. E entendo que não apenas devemos entender e saber pontuar os problemas, mas há maior necessidade é agir, reagir! E é essa atitude que vejo, há partir desta postagem. PARABÉNS!

  4. Amei esse post, faz algum tempo que penso nisso, eu criei com minhas primas um projeto para dar uma nova vida ao jeans, fazer um upcycling que ao meu ver tem tudo a ver com o slow fashion, tenho uma pagina no Instagram que mostro meus trabalhos, estou no começo, me aperfeiçoando, vou fazer até o curso de costura da maximus… quero poder fazer a diferença!

  5. AMEI O ARTIGO NOS FAZ REFLETIR MUITO E PENSAR DUAS VEZES EM FAZER UM DESCARTE DE TECIDOS E DE ROUPAS QUE NAO VAMOS USAR . ISSO SERVI DE ALERTA PRA TODOS NOIS REUTILIZAR O QUE TEMOS SEJA COSTUMIZANDO,COSTURANDO DESSA FORMA VAMOS FAZER A NOSSA PARTE NO MUNDOFICAR A DICA ; # RECOMECE,REAVALIE,RECONSIDERE,REINVENTE,RECONSTRUA.

  6. Muitíssimo importante esse post! Indico a todos que se interessam por esse assunto a assistirem o doc The true cost.

  7. Acredito que este artigo nos faz repensar toda a forma de consumo, seja na , indústria textíl, alimentícia, farmaceutica, ou em qualquer outra área da nossa vida. Todos precisamos cuidar do nosso meio ambiente e principalmente das pessoas. Todos devemos fazer nossa parte, todos devemos tentar compreender o lado do outro que muitas vezes enquanto estamos felizes adquirindo exageradamente coisas e mais coisas, o outro passa fome, o outro é explorado, os animais são extintos e o planeta terra vai sumindo. Pensar e refletir sobre o assunto já é um começo.

  8. Esse post está mais atual do que nunca! Muito bom pensar e agir o mais corretamente possível nessa questão. Parabéns 👏👏👏👏

  9. Eu não tinha noção do que acontecia na indústria da moda , muito se fala do capitalismo, da oferta e procura, de buscar menor custo. Eu própria já havia trabalhado como auxiliar de produção numa indústria de jeans ,tirava linhas que sobravam nas peças pra saírem perfeitas. Mas nunca tinha ouvido falar disso, ouvi falar de customização; mas, sobre slowfashion e sobre os abusos na indústria, não! É de se parar e refletir!

  10. É sempre penso de onde vem e para onde vai todo lixo que produzimos. Estou começando nesse ramo da costura com o curso de vcs e já estou amando as publicações e conscientização sobre o assunto. Parabéns pela iniciativa.

  11. Amei o artigo e faço eco dessa ideia. Desde pequena eu sempre gostei de estar no mundo da moda, sem saber nada de moda… Eu adorava brincar com aquelas bonequinhas de papelão que se vendia nas bancas de jornais, que vinha com umas roupinhas para serem recortadas e vestir o manequim que vinha junto, também de papelão. Eu passava horas e horas trocando as roupinhas e desfilando minha manequim em cima da cama, na área da minha casa. Ainda criança descobri que a costura era minha praia e pegava todos os panos de chão da minha mãe e das vizinhas, para fazer boneca de pano. Minha mãe tinha uma máquina de costura e eu aproveitava que ela trabalhava fora, pegava agulha e linha e lá tava eu construíndo minha boneca de pano. Agora já madura e crescidinha fui descobrindo que não sou muito de estar na moda, gosto de roupas confortáveis, práticas, de bom corte e que me dure bastante. Tenho algumas peças de roupas com mais de 30 anos, que ainda uso e todas estão na moda e ninguém diz que são peças antigas: de excelente modelagem, excelente tecido e muito confortável no corpo. Penso que costurar e produzir nossas próprias roupas e também para família é autoconhecimento, é conscientização, é pensar que produzir peças de má qualidade ou a que está bombando numa temperada é uma imprudência… a moda passa, a roupa fica e a gente não reaproveita… E, quando reaproveitamos somos o bicho mais raro da turma, da família, do ambiente do trabalho e nos etiquetam, no mínimo, de antigona, miserável por não gastar, sem estilo… Quem entra no mundo da costura, claro está, que acompanha tendências…Penso que o mais importante é ter essa consciência do re-aproveitar, do fazer o novo com qualidade e durabilidade e ,também, onde cada um que produz peças quer chegar… O radicalismo em certos momentos, em certos setores da sociedade, muitas vezes é válido para o não sofrimento, para surgir a paz, a saúde, a fraternidade, a não escravidão, a igualdade entre povos e entre homens e mulheres, respeito aos animais, as crianças e idosos… E a lista é grande. Por outro lado quando falamos de moda de consumo responsável eu penso que trabalhar dentro dos padrões da flexibilidade funcionará melhor, porque primeiro se conhece, depois se aprende desse conhecimento, logo se assimila e a etapa seguinte e a transformação para o melhor, para um bem estar durável e responsável.

  12. Nao sei que acontece que meus comentários ao enviar sai uma mensagem dessa “parece que você já disse isso” – Um assunto que eu gostaria de aportar minha reflexão… Nao pude. 🙁 🙁

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