O guia completo das roupas e tecidos de alfaiataria


16
273 compartilhadas, 16 points

Oi meninos e meninas, tudo bem com vocês? Preparei um post que na verdade é um guia completo sobre alfaiataria.

Foto: Freepik

Alfaiate é uma palavra que vem do árabe, al-ẖayyât, e significa costureiro. Surgiu na Idade Média, entre os séculos XII e XIV.

Alfaiataria era o nome dado às oficinas onde eram feitos ternos, calças, casacos e blazer exclusivamente masculinos. Roupas feitas manualmente, com medidas tiradas direto no corpo do cliente, de caráter exclusivo.

Na década de quarenta o uso de peças de alfaiataria pelas mulheres ganhou força no pós guerra. Isto porque, com a crise, as mulheres não tinham dinheiro para comprar muito tecido. As peças de alfaiataria são de corte mais reto e gastam menos tecido.

Os ternos viraram Tailleur e passaram a fazer parte também do guarda-roupa feminino.  Nos anos 40, Marlene Dietrich eternizou o terninho com calça comprida bem cortado e ajustado com pences na linha da cintura. Um escândalo para a época porque mulheres não usavam calça comprida a não ser que fossem cavalgar.

Aliás, só por curiosidade, o filme Expresso de Shangai e Desejo com Marlene Dietrich fez brotar de norte a sul o nome Marlene no Brasil. Muitas mulheres como eu, com mais de 50 anos, receberam o nome Marlene. É um nome que se popularizou na década de 60, embora o filme seja dos anos 30. Naquele tempo os filmes ficavam circulando por décadas. Diferente de hoje que um filme é lançado, enaltecido e esquecido no mesmo ano. 

Foto: © Bettmann/CORBIS/© VANITYFAIR.IT
BÊ-Á-BÁ DAS PEÇAS DE ALFAIATARIA

Ternos ou fato é o nome dado ao conjunto completo de roupa masculina que engloba camisa, calça, colete, gravata e paletó.

Foto: Pinterest

Costume é o nome dado ao conjunto de roupa que engloba paletó, calça, camisa e gravata, sem colete.

Foto: Pinterest

Tailleur é o conjunto de saia ou calça com blazer e camisa, feitos para a mulher.

Foto: Pinterest

Vestidos tubinhos, de corte simples e reto também são considerados alfaiataria.

Foto: Pinterest

Paletó é o casaco que acompanha o terno ou costume, com lapela e gola voltado para o direito e abotoado na frente. Faz par com a calça do mesmo tecido.

Foto: Pinterest

Blazer é o mesmo paletó, só que usado sem combinar com a calça. Um blazer pode ser usado tanto com camisa como com uma camiseta, com calça social ou jeans, bermuda ou short. A diferença entre blazer e paletó está na funcionalidade da peça, em como irá ser usada. 

Foto: Pinterest

Até a década de 70 os ternos, blazers e costumes eram feitos por alfaiates, sob medida e a maior parte do acabamento era feito à mão. Isto porque as máquinas de costura da época faziam somente costura reta simples. E as entretelas não eram termocolantes. Tinham que ser alinhavadas manualmente.

Hoje uma peça de alfaiataria pode ser feita tanto em ateliês como em fábricas. Podem ser exclusivas ou feitas em série. Feitas manualmente ou com o uso de máquinas ultra modernas. Vestem tanto o homem quanto a mulher.

Foto: Freepik

Uma peça de alfaiataria feita sob medida exige prova para que fique perfeita no corpo. Lembre-se que a modelagem é 2D feita para um corpo 3D. Por esta razão, necessita de ajustes e para estes ajustes, é necessário fazer no mínimo, 3 provas antes de concluir a peça para que fique perfeita no corpo.

Uma peça de alfaiataria significa que é uma peça estruturada, de corte mais reto e ajustado, feita com tecidos mais estruturados, secos, com caimento impecável, elegante e social. Não há fluidez nas peças de alfaiataria. Uma saia evasê ou godê e um vestido soltinho, fluído, feito de seda, não é alfaiataria. Pode ser alta costura se feito em um ateliê cujo trabalho é artesanal, feito quase todo à mão, mas não é alfaiataria.

Alfaiataria é uma técnica de modelagem e costura diferenciada.

Uma técnica usada para construir roupas sociais, para uso executivo. Nada impede que uma peça esportiva seja alfaiataria. Desde que siga as técnicas e padrões alfaiataria.

TIPOS DE ALFAIATARIA

Há várias linhas de alfaiataria. A alfaiataria francesa (a mais antiga), a alfaiataria alemã (marcada pelos uniformes militares impecáveis) a alfaiataria italiana (a mais elegante) e a alfaiataria inglesa (a mais tradicional).

Alfaiates de renome como Monsieur Guilson (França, anos 50 e 60), Hugo Boss (Alemanha, anos 50), Paul Smith (Inglaterra, anos 60 e 70) e Ermenegildo Zegna e Giorgio Armani (Itália 60 e 70) abrilhantaram a alfaiataria e a tornaram peças que iam além do uniforme ou traje executivo. Tornaram a alfaiataria parte da alta costura. Deram a alfaiataria o glamour que ainda hoje possui.

Muitos estilistas como, Yves Saint Laurent, Jean Paul Gaultier e Alexandre Mcqueen e marcas como Just Cavalli, Gucci, e Carven colocaram na passarela da alta costura feminina peças de alfaiataria feitas com tecidos de luxo. Algumas bordadas com requinte. 

Foto: Pinterest
Foto: Pinterest
O ACABAMENTO NA ALFAIATARIA

O acabamento de uma peça de alfaiataria deve ser invisível (a maioria das peças são forradas ou com acabamento interno com viés). A queda de ombro (altura da cava maior nas costas) comum na modelagem masculina também é usada na modelagem feminina.

Os casacos, blazer e paletós são entretelados e possuem ombreiras para deixar o ombro mais reto. A manga dos casacos, blazer e paletós é, na maioria das vezes, de duas folhas para dar formato a curva do braço perto do cotovelo. As calças de alfaiataria não são justas demais e nem muito largas. Possuem corte mais reto.

O clássico é o determinante de uma peça de alfaiataria, embora há variáveis que foram sendo criadas por grandes estilistas no decorrer do tempo. Pode-se brincar com a alfaiataria, mas não destruí-la. A estrutura das peças e o corte reto prevalece. 

Foto: Freepik
TECIDOS USADOS NA ALFAIATARIA

Os tecidos usados em alfaiataria são mais secos. Possuem um caimento mais reto, liso e firme. São tecidos de alfaiataria as lãs frias, linho, crepe alfaiataria, gabardine, jacquard, zibeline, tweed, cashmere, microfibra two way, oxford, entre outros.

Entre estes tecidos há os mais nobres, de primeira linha, e os de segunda ou terceira linha. Depende da quantidade de fios usada para fabricar o tecido. Além de tudo existe as falsificações. Precisa ter cuidado ao comprar. Há muito “gato sendo vendido por lebre” por aí. Mas é claro, tudo depende do custo x benefício.

Se é para vender barato, o tecido não pode ser caro. Mas uma peça barata ou cara precisa ser bem feita. Quem compra um terno ou blazer quer levar para casa uma peça bem costurada, bem assentada ao corpo e que dure bastante. Uma roupa de alfaiataria não é feita para ser descartável.

Lembrem-se que a escolha de tecidos de qualidade, a modelagem e o capricho na finalização da peça determinam a beleza de uma peça de alfaiataria. 

Tecido zibeline da Maximus Tecidos
Tecido alfaiataria masculina fibra bambu poliviscose da Maximus Tecidos
Tecido alfaiataria masculina da Maximus Tecidos
Tecido lã acrílica da Maximus Tecidos
Tecido linho puro da Maximus Tecidos
Tecido crepe alfaiataria da Maximus Tecidos
Tecido jacquard da Maximus Tecidos

Clique aqui e confira todos esses tecidos que podem ser usados na alfaiataria no site da Maximus Tecidos!

MÉTODO MODELAGEM PRÁTICA ESPECIAL ALFAIATARIA BY MARLENE MUKAI

No site da Maximus Tecidos você pode adquirir o meu Livro Modelagem Prática Alfaiataria que tem o objetivo de simplificar a modelagem para peças de alfaiataria, tornado-a prática e de fácil compreensão. As modelagens são explicadas com desenhos diagramados para facilitar ainda mais o aprendizado.

A partir do meu conhecimento sobre diferentes tipos e técnicas de modelagens brasileiras, francesas, italianas, ingleses, alemães e coreanas, e sobre antropometria para entender as proporções do corpo, criei meu próprio método de Modelagem.

O Livro Modelagem Prática Alfaiataria contém 150 páginas com uma grande variedade de modelos de roupas tais como paletó, blazer, calça social, casacos, coletes, camisas, vestidos, saias, bem como tabelas de medidas padrão, gradação de moldes e técnicas de costura e acabamento.
O conteúdo do livro é dividido em quatro partes: Alfaiataria Masculina, Alfaiataria Feminina, Costura e Acabamento e Graduação de Moldes.
Livro Modelagem prática Alfaiataria que você encontra na Maximus Tecidos

👉 Adquira o Livro de Modelagem Prática Alfaiataria aqui!
No site da Maximus Tecidos você também pode o Kit com Todos os Livros Modelagem e Acabamento by Marlene Mukai com 10% de Desconto (1 livro sai quase de graça!), Frete Grátis para todo o Brasil e Ganha de Brinde um Caderno de Croquis com 74 Poses!
Kit todos os livros modelagem e acabamento que você encontra no site da Maximus Tecidos
👉 Adquira o Kit com Todos os Livros de Modelagem e Acabamento aqui!

Gostou? Compartilhe com seus amigos!

16
273 compartilhadas, 16 points

O que você achou desse post?

Não Gostei Não Gostei
1
Não Gostei
Confuso Confuso
1
Confuso
Engraçado Engraçado
1
Engraçado
Amei Amei
82
Amei
Incrível Incrível
19
Incrível
O Melhor O Melhor
13
O Melhor
Marlene Mukai

Me chamo Marlene Mukai. Formada em História e Geografia. Lecionei por 20 anos. Abandonei a carreira de professora para abrir minha própria loja e confecção de roupas. Costuro desde criança. O primeiro método que estudei foi um método misto alemão na Escola das Irmãs Sacramentinas em Minas Gerais aos 13 anos. Aprendi técnicas de costura com minha mãe, que já era costureira e fazia roupas sob medidas. Em São Paulo aprendi outros métodos como a alfaiataria Italiana, Inglesa, Francesa e o Método Coreano. Quando abri minha confecção percebi a necessidade de simplificar a modelagem para agilizar a produção. Pesquisei outros métodos e desenvolvi o meu próprio método. Tenho dois livros editados, Modelagem Prática para confecção de roupas e Modelagem Prática especial malhas. Este ano lançarei meu terceiro livro, Especial Acabamentos. Também tenho um canal no youtube com vídeo aulas de modelagem e acabamento.

2 Comentários

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Escolha um formato
Postagem
Compartilhe imagens com textos do seu trabalho.
Vídeo
Compartilhe o vídeo do seu trabalho.
Imagem
Compartilhe o recebimento do seu tecido ou suas criações.