Oi, gente! Eu sou a Camila Nishida e hoje eu estou aqui pra falar de TECIDOS PARA FORRO.
Quantas vezes você já se questionou se faria ou não uma roupa forrada? Vem comigo que neste post a gente vai conversar sobre quais peças precisam de forro, em quais o forro é dispensável e o principal: quais tecidos usar de forro para cada peça.
Pra escolher o tecido para forro, observe o caimento, a transparência e a elasticidade da peça. Tafetá pode ajudar em bases de vestidos com volume; cetim e forros próprios para alfaiataria atendem a diferentes casacos e blazers; malhas com elasticidade compatível podem acompanhar roupas ajustadas. Para peças leves, escolha um forro que não pese no caimento. A decisão final depende da amostra e da modelagem.
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Quando você decide entre forrar ou não uma peça, você também está escolhendo como será o acabamento por dentro. Um forro adequado influencia o conforto e o caimento e pode valorizar a roupa, desde que combine com a modelagem e com o tecido principal.
Muitas vezes eu percebo que existe um grande impasse na hora de tomar a decisão entre forrar ou não, e eu vejo isso acontecendo tanto por parte da costureira, quanto por parte da cliente quando ela pode escolher. E são várias as justificativas:
“É pra ficar mais simples de costurar”
“É pra adiantar, porque está em cima do prazo””
“Ah, mas eu não queria gastar com tecido para forro”
A questão é que essa decisão precisa considerar a peça pronta. Se o modelo pede forro e ele é retirado apenas para economizar tempo ou material, o acabamento e o conforto podem ficar comprometidos. Já uma peça planejada para ser usada sem forro pode ter ótima qualidade.
Veja, quando uma cliente opta por fazer uma roupa e não comprar pronta, é porque ela está em busca de uma peça exclusiva, que seja feita sob as medidas dela, da cor, tamanho e jeito que ela escolheu. Sendo assim, a qualidade da peça que você vai entregar, vai te colocar em algumas categorias imaginárias que as clientes costumam ter como:
“Nossa, é um super costureira, indico de olhos fechados”
ou
“Olha, é uma costureira baratinha né”
O forro não é “só um acabamento”. Ele faz parte da roupa. O forro além de tudo que já falamos, proporciona conforto. Ele vai assentar a peça no corpo da cliente quando ela vestir. Vai deixar o contato com a pele sem as fissuras das costuras e linhas, vai permitir um acabamento embutido que não vai aparecer quando ela se movimentar, vai deixar cada coisa no seu lugar. É abrir o zíper e ver uma peça perfeita por dentro, sem costuras e acabamentos a mostra.
Muitas vezes o que vai diferenciar um vestido de alta costura de um vestido comum, é a maneira como o forro foi colocado e o tecido que foi utilizado pra isso. Uma boa modelagem com o tecido certo para a base e para o forro, e bem acabado deixa uma peça única, sofisticada e elegante.
Então agora que já entendemos a importância do forro, vamos esclarecer quais peças precisam dele e em quais ele pode ser dispensado.
Geralmente peças mais leves de verão, não necessitam de forro. Blusinhas de crepe ou viscose, de alcinhas, mais abertas e algumas peças de sobreposição como kimono por exemplo, o forro é dispensável. Mesmo que o tecido tenha um pouco de transparência por ser mais fino, desde que você não se importe com isso, é super ok não usar forro.


Agora quando falamos de vestidos, saias, peças de alfaiataria como blazer, calça e macacão, vestidos de moda festa e ternos… o forro pode ser importante para o acabamento e o conforto. Mas não é obrigatório em todos os modelos: avalie a transparência, o contato com a pele, as costuras internas e o resultado que você quer. Há peças totalmente forradas, com forro parcial e sem forro.


Afinal, o que diferencia uma peça de alta costura, de uma peça de fast fashion, não é o só preço, é o valor que cada uma entrega e a forma como cada um delas veste.
COMO ESCOLHER O TECIDO IDEAL PARA O FORRO DE CADA PEÇA?
Primeiro de tudo você precisa gravar essa frase: o forro deve seguir o caimento do tecido de base. Esse é o princípio da escolha certa.
O forro não é algo “à parte”, ELE É PARTE da peça. O importante é que ele acompanhe o caimento e os movimentos previstos na modelagem. Uma base estruturada pode receber um forro leve e deslizante; tecidos de apoio e entretelas cumprem outras funções na estrutura. Em roupas que precisam esticar, compare a elasticidade e a recuperação dos dois tecidos. Ter elastano na composição, por si só, não garante essa compatibilidade.
Pra facilitar vamos dividir os tipos de forro em 3 grupos de uso: para peças estruturadas, encorpadas e leves. Essa divisão ajuda na escolha, mas não substitui a avaliação da composição e do comportamento de cada tecido.
FORROS PARA PEÇAS ESTRUTURADAS
Para vestidos de festa mais estruturados, como de zibeline por exemplo, o forro mais indicado é o tafetá madri ou tafetá sevilha/verão.


O zibeline é um tecido mais estático, encorpado e que da muita estrutura. Assim também é esse tipo de tafetá, por isso os dois ficam nessa harmonia. Quando utilizado num vestido sereia, esse forro vai proporcionar ainda mais estrutura, contribuindo pra disfarçar aquelas marcas indesejadas no corpo.

Algumas pessoas tem receio de usar vestido sereia por ser muito justo, porém essa combinação de tecido unidos a uma boa modelagem deixa o vestido moldando o seu corpo como quase nenhum outro tecido faz.
Já pra um vestido godê, num estilo mais princesa, um tafetá mais armado pode funcionar como base de apoio e ajudar a dar volume à saia. Nesse caso, ele participa da estrutura do vestido, uma função diferente da de um forro leve usado apenas para acabamento interno. Faça o teste com as camadas juntas para conferir o volume desejado.

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Nessa categoria também podemos colocar alguns forros de poliéster. Esses são bem queridos pelas costureiras por serem versáteis e se adequarem a vários tipos de peças.
São bastante utilizados em blazer, sobretudo, casaquetos e peças de alfaiataria masculina como ternos. Entre as opções citadas neste post estão o jacquard de poliéster e os tecidos vendidos com o nome bemberg. A composição precisa ser conferida separadamente, porque esses nomes não identificam a mesma fibra.
O jacquard de poliéster é um tecido com a textura e detalhes em alto relevo do jacquard, mas numa base mais maleável que é para ser utilizado para forro. Na alfaiataria, principalmente para ternos masculinos, esse forro é de uma elegância única. Um terno bem cortado e alinhado, com um tecido fino de alfaiataria e um forro como esse é um terno sofisticado e muito diferenciado. Uma verdadeira peça de requinte.




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Daí temos o bemberg. Um cuidado importante com esse nome: Bemberg™ é a marca de cupro da Asahi Kasei, uma fibra de celulose regenerada. Não é correto classificá-lo como poliéster nem dizer que todo tecido com esse nome é inferior ou frágil. Se a loja usar “bemberg” como nome comercial, confira a composição na ficha técnica do produto.
Como eu falei, o forro faz parte da roupa como um todo. Para blazer, terno, casaco ou sobretudo, avalie o toque, o deslizamento, a resistência e os cuidados de conservação do tecido escolhido. Um bom resultado depende da combinação com a peça, não apenas do nome do forro.




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FORROS ENCORPADOS
Primeiro de tudo: encorpado é diferente de estruturado ok? Um tecido não precisa ser necessariamente estruturado para ser encorpado. E é desses que falaremos agora.
Aqui temos o cetim com elastano e a malha helanca. Esses dois também são dois queridinhos e são bem versáteis. O cetim com elastano tem o toque sedoso e brilho acetinado, é um tecido bonito e confortável. Ele é ideal para usar de forro em crepes mais encorpados como crepe dior, crepe vogue, crepe pasquale, crepe valentino, crepe cetim bucol span…
Como eu gosto de dizer, o forro tem que casar com a base. O cetim com elastano pode acompanhar os movimentos de uma roupa mais justa, como um vestido tubinho ou sereia, desde que tenha elasticidade suficiente para a modelagem. Para blazer ou vestido godê, avalie também a gramatura e o caimento. O elastano ajuda na extensão e na recuperação, mas não é ele sozinho que dá estrutura à peça.




Neste exemplo, estamos falando de um cetim com elastano indicado para forro. Para usá-lo como tecido principal, é preciso conferir se a gramatura, a opacidade e a resistência atendem ao modelo.
Alguns cetins delicados puxam fio com facilidade, por isso vale testar uma amostra e seguir a indicação do fornecedor. Mas existem cetins próprios para blusas e vestidos: a recomendação de usar apenas como forro não vale para todos os tecidos chamados cetim com elastano.
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Já malha helanca pode ser uma opção para peças ajustadas, conforme a gramatura e a elasticidade da malha escolhida. O nome helanca não informa sozinho a composição nem o teor de elastano: confira a ficha técnica e teste quanto ela estica e retorna. Para reduzir transparência ou marcas, avalie as duas camadas no corpo. Ela pode funcionar como forro para o crepe de malha scuba, para malha lurex, outras malhas e peças justas ao corpo, desde que o conjunto mantenha o movimento e o caimento desejados.




Além disso, esse tecido é bastante utilizado para confecção de figurinos de dança, como collant de ballet por exemplo, devido a flexibilidade, conforto para os movimentos e preço acessível.

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FORROS LEVES
Falando de peças mais casuais, como um vestidinho de viscose, uma opção é a malha segunda pele: escolha uma versão leve, teste a transparência com o tecido principal e avalie o conforto no contato com a pele. O resultado depende da composição, da gramatura e das camadas; “segunda pele” não garante, por si só, que a roupa fique fresca ou totalmente opaca.


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Já falando de vestidos de festa de tecidos mais leves, como de musseline ou gazar, o forro ideal é um crepe que siga esse caimento, como o crepe nuage, crepe lorraine ou ainda o satin.
A musseline e o gazar podem apresentar transparência, mas o caimento varia conforme a versão. O gazar pode ficar mais armado que uma musseline leve. Teste o forro com a amostra que você comprou: um forro pesado ou rígido pode mudar o movimento, enquanto uma base mais firme pode ser intencional quando o modelo pede volume.




Para um vestido de crepe lorraine ou crepe nuage, a opção perfeita é fazer ele duplo do mesmo tecido. Ou seja, usar o próprio crepe como forro. Além de dar todo um charme porque o tecido é lindo, vai garantir um caimento único, já que o que está dando a base é o próprio crepe.

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Além disso, esses dois crepes tem um valor super acessível, o que ainda mais a investir nele mesmo como um forro. Mas caso você ainda opte por um outro, pode usar o satin, que fica bem harmonioso também.

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Se ainda assim, você achar que esses forros pesam no orçamento que você tem para o vestido, temos a opção do forro de poliéster leve.
Esse forro é bem maleável, de toque macio e caimento bem leve. É uma ótima opção para usar de forro dos crepes mais leves também e tem o valor mais acessível.

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Então esses são as 3 categorias do principais tecidos que podem ser utilizados para forro. Eu sei que é bastante informação e parece que são muitos tipos diferentes de tecidos.
DICA EXTRA
Sempre que você escolher o tecido do vestido, coloque o tecido de forro embaixo e segure ele como se fosse o caimento da peça pronta. Isso vai te dar uma boa base se eles “casam” ou não. Fazendo esse movimento você tem ideia do movimento que vai ter a peça. Também confira se os dois tecidos aceitam os mesmos cuidados de lavagem e se precisam de preparação antes do corte. Ao experimentar a peça, sente, caminhe e movimente os braços para verificar se o forro não repuxa.
Se você vai fazer uma peça mais justa, como um vestido tubinho ou vestido sereia, coloque o forro embaixo e da uma esticada nos dois tecidos juntos assim e veja como o tecido se comporta, assim também da pra ter uma boa noção.
Não tenha medo de usar forro. É aí que está o diferencial da sua peça
Então é isso pessoal!
Se você gostou das dicas sobre forro comenta aqui.
Aproveita para conferir o vídeo dos tipos de crepe, zibeline e musseline.
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Um abraço e até a próxima!
Respostas de 15
Adooooooro esse canal que cada dia que passa me ajuda a me tornar uma profissional competente. Parabéns Camila por nós disponibilizar conhecimentos tão importantes para nós costureiras e modelista.
E os vestidos infantis de tricoline. Forrar ou não? Forrar só o corpo oo forrar tudo?
Muito boa as dicas amei apaixonada por tecidos
Qual tecido melhor pra forro?
Adorei…..assunto muitíssimo importante !
Para mim o forro é essencial
Parabéns Camila pelo seu trabalho é muito importante para nós que estamos aprendendo com você. Muito obrigada.
Tô adorando!
Não sabia que havia tanta opções de forros.
Tá me ajudando muito.
Obrigada
tecidos melhor pra forro e tecidos fino, e depende do gosto das pessoas
Seus modelos de vestido são todos elegante linda 😍
Quero saber qual tecido usar para forrar um vestido de chifon jakcard